16 de Janeiro de 2012
A cidade de Luxemburgo é muito simpática. Como dito anteriormente, tudo se parece com castelos medievais, e todas as pessoas são poliglotas por natureza – os três idiomas oficiais são Alemão, Luxemburguês e Francês, mas grande parte da população fala inglês, e 60% dos imigrantes que lá vivem são portugueses. Isso foi o que o primeiro taxista nos disse logo que chegamos. O transporte lá não é ruim – mas é complicado; chegar ao hostel exige táxi. E de todos os taxis que pegamos nesses dois dias lá, apenas um taxista não era português – era um italiano que falava OITO línguas, incluindo português. As outras eram: francês, inglês, luxemburguês, alemão, espanhol e dois dialetos italianos. “O saber não ocupa espaço”, dizia o sábio taxista dentro de seu carro luxuoso (como quase todos os táxis europeus). Mais tarde, completou “se uma moça interessante está conversando comigo, eu digo para falar em sua língua, pois eu vou entender; é melhor que ela saiba se expressar no próprio idioma”. Meu pensamento na hora foi “esse é galo velho” (só para introduzir a vulgaridade neste blog). O cara tinha quarenta e poucos anos, não tinha família e aparentava ser muito mais jovem. Nós nos despedimos dele admirados com o conhecimento daquele indivíduo, fazendo inevitáveis comparações com os taxistas brasileiros.
Ainda no dia 16, segunda-feira, chegamos pela noite por causa do incidente com o trem perdido. Descobrimos logo que a cidade fecha com o pôr-do-sol. O único restaurante aberto era, para a nossa infelicidade, o McDonald’s. Contrariados, chegamos lá. A atendente era uma senhora que falava quatro línguas. O outro funcionário me ajudou a chamar um táxi na volta. As comparações estavam só começando.
No dia seguinte, optamos por visitar um castelo medieval em vez de os pontos turísticos da cidade. No entanto, chegamos na cidade do castelo pouco depois das 16h. Ele fechava as 16h.
Ainda assim, foi bonito e divertido, principalmente no trem, quando um bando de crianças portuguesas entraram conversando muito alto naquela língua familiar e estranha ao mesmo tempo. Até pedi informação para um deles, que me respondeu em... francês. Sim, ao longo desse tempo percebi que eles misturam várias línguas no meio de uma conversa sem se dar conta. Vi isso em várias ocasiões, mas uma outra me foi muito mais marcante: dois jovens negros conversando sobre, provavelmente, alguma festa anterior: “então eu cheguei para a rapariga e perguntei ‘was machst du?’, mais elle n’a rien dit”, ou algo muito similar a isso (pelo menos foi o que anotei no momento). O cara misturou português, alemão e francês em um trecho de quatro verbos.
Luxemburgo havia sido até então o lugar mais frio da viagem. A fumacinha que sai de nossa boca no inverno gaúcho quando sopramos o hálito no frio úmido sai também de nossos narizes nessa terra pequena e antiga.
Essas poucas horas que passamos em Luxemburgo foram especiais; mas entender que é preciso cuidar o que dizemos em português num país europeu que não Portugal foi complicado. Quando estávamos na lanchonete do hostel, pela manhã do dia 17, perguntei em francês para o sujeito se havia algo para comer. Ele me disse que o café tinha encerrado (e ainda era muito cedo), mas que havia “aquele sanduíche ali”. O aspecto dele não era agradável, e antes que eu repetisse a proeza de Amsterdã, resolvi cortar o embalo ali, virando-me para a Liliane e dizendo algo do gênero: “só tem aqueles sanduíches meio feios ali, eu não quero comer isso, tu quer?”, tendo então o rapaz se pronunciado de novo com essas palavras: “pois então deves procurar uma outra cafeteria pelo centro da cidade!”. Esses portugueses... mal posso ver seus movimentos.
Pegamos o trem para a Alemanha no dia 18 pela manhã, rumo a Trier. A voz do maquinista me fez lembrar o Darth Vader.
E não houve mais fatos muito relevantes lá, terminando meu relato aqui.
Oi Lu,,,
ResponderExcluirEstamos acompanhando tua viagem e torcendo pelo sucesso dela. Imensa experiência com grande aprendizado. Saudade grande. Aproveita bastante.
Beijo Grande, Tio...