São 20:45h em Madri e eu acabo de descobrir que teremos companhia hoje. Quando voltamos ao hostel, havia um livro em inglês em cima de uma outra cama, e tão logo o vi, já comentei com a Liliane: "espero que seja uma striper americana". Ela riu, como de costume, e então acrescentei que, se fosse UM striper americano, eu a deixaria com ele e buscaria um outro quarto.
Mas enquanto arrumava minhas coisas, eis que ouvimos um barulho de porta se abrindo. Era ela, a simpática americana entrando sorridente em nosso quarto, já se apresentando e trocando algumas palavras de cortesia. Sorri por dentro e por fora, mas, após alguns dedos de prosa, vim-me aqui embaixo lhes postar antes de tomar um banho e iniciar a noite madrileña.
Hoje acordei absolutamente tarde (efeitos da última semana de provas, na qual dormi uma média de duas horas por noite). Por volta das 13h saímos, pegamos o metrô e fomos de Atocha até a estação Orcasitas, onde há uma loja esportista gigantesca (na qual as pessoas compram roupas de frio, basicamente). Tem de tudo, e tudo é muito mais barato do que se imagina: camisetas térmicas (a R$ 10,00 equivalentes), casacos dos mais variados tipos, mas o que mais me chamou a atenção foi uma bola de tênis. Ela era igual a todas as outras - verde, felpuda, pelúcia, marquinhas brancas... exceto por ter quase o tamanho de uma bola de futebol. Não me perguntem para que serve, mas imagino que seja... para jogar. Seja lá como.
Além disso, havia um skate com apenas duas rodas - como um patinete, mas sem guidão; também tinha raquetes de paddle (que são densas, compactas e com furos), de Badminton (incluindo a peteca de plástico, com a qual não tenho a menor habilidade, conforme puderam constatar as pessoas que passavam enquanto eu brincava de europeu esportista), uma espécie de manta de tecido, semelhante a uma manga de camiseta comprida de diâmetro bem maior. Tive que pedir ajuda para uma mulher, que me olhou com uma cara de "coitadinho, ele não sabe usar uma manta". Fez um gesto enquanto me dizia "basta ponerla". Realmente era fácil - dá para usar como manta, touca, véu, gorro, tapar o nariz, tapar as orelhas e ainda cobrir a testa como se fosse uma bandana. Claro que não sou tão criativo assim; isso tudo dizia na embalagem. E é óbvio que trouxe uma comigo.
O que não pude trazer, no entanto, foi a bola de tênis para gigantes. Mas vou superar isso.
Após sair de lá, finalmente compreendi como as pessoas vivem no frio. O fato é que, para se viver no frio, é preciso se proteger dele, coisa que não fiz na ida, nem ontem à noite. Não sei bem como acordei sem uma pneumonia, mas sei que isso não deverá mais acontecer. Comemos ainda perto da estação, que basicamente fica num bairro afastado. A atendente da mini-pizzaria demorou para me entender, até porque ela não queria me entender muito. Após nos servir, ficou conversando com um cara - ou melhor, ficou falando com um cara, pois este só a ouviu - em uma língua muito estranha. Ficamos tentando identificar qual era; no início eu achei que fosse russo, mas descartamos quando ouvi alguma palavra em latim. A Liliane achou que era catalão, mas eu achei que teríamos entendido mais coisas se fosse. Até que eu falei, meio brincando: "vai ver é romeno".
Na saída, perguntei. "Somos da Romênia", respondeu o cara enquanto a mulher respirava para falar mais.
Com bem menos frio, retornamos ao Hostel em Atocha.
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